Publicado em: 29/07/2020

Saiba mais sobre a vacina da Pfizer, que iniciou fase 3 e terá testes no Brasil

A empresa Pfizer inicou testes da terceira e última fase da sua vacina contra a Covid-19, a BNT162, e anunciou que os trabalhos também ocorrerão no Brasil. Criado em parceria com a empresa alemã BioNTech, o imunizante é feito com a técnica de RNA mensageiro, que já vem sendo testada pela empresa Moderna nos Estados Unidos. Os testes vão ser realizados no Centro Paulista de Investigação Clínica, em São Paulo, e na Instituição Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador. Dos 30 mil voluntários, mil serão do País.

Para esse tipo de vacina, chamada de genética, a molécula de RNA é produzida em laboratório. A molécula entra na célula por diferentes mecanismos, o que concede a ela informações necessárias para produzir uma das proteínas que compõem o vírus. Desta forma, o sistema imunológico identifica a proteína como um patógeno, um corpo estranho que precisa ser combatido, e inicia uma resposta imunológica.

A vacina será administrada em um nível de dose de 30 µg em um regime de duas doses em um estudo de fase 2/3 de até 30 mil participantes com idades entre 18 e 85 anos. Ele começou nos EUA e deve incluir cerca de 120 locais em todo o mundo, com foco naqueles com alta prevalência da doença ainda na comunidade. Como a Moderna, eles esperam uma resposta rápida e dizem que, se esse teste vencer, está “no caminho de buscar uma revisão regulatória já em outubro de 2020. Se a autorização ou aprovação regulatória for obtida, planeja fornecer até 100 milhões doses até o final de 2020 e aproximadamente 1,3 bilhões de doses até o final de 2021”.

O pediatra Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que o método utilizado é diferente das duas outras vacinas que vêm sendo testadas no Brasil. A vacina de Oxford, desenvolvida pela Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca, que será produzida pela Fiocruz, é feita com um tipo de adenovírus modificado que carrega um pedaço do material genético do novo coronavírus, fazendo com que as células do corpo produzam espinhos, similares ao do vírus, criando, assim, anticorpos contra a Covid-19.

Já a Coronavac, da empresa Sinovac, que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, é feita com o novo coronavírus inativado, que não consegue se replicar, mas faz com que o sistema imunológico reaja e crie os anticorpos necessários.

Segundo a empresa, a escolha do Brasil para participar do estudo foi baseada no conhecimento científico e capacidade local, assim como na epidemiologia da doença e experiência prévia do país para a realização de estudos clínicos. “As companhias continuarão avaliando o plano de desenvolvimento clínico no decorrer do período e verificando a necessidade e a viabilidade de locais adicionais”, informou em nota à imprensa. A Pfizer estima ter uma produção de 1,3 bilhão de doses entre 2020 e 2021.

Informações Correio do Povo