Publicado em: 20/05/2020

RS adota cautela e diz que uso da cloroquina é de avaliação do médico

PALÁCIO PIRATINI

protocolo do Ministério da Saúde que permite ao Sistema Único de Saúde (SUS) o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina com amplo alcance em pacientes com Covid-19 é visto pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) como um documento de “orientação”. A secretária de Saúde, Arita Bergmann, disse em videoconferência nesta quarta-feira que a pasta “tem mais perguntas do que respostas objetivas”, visto que nenhum protocolo do uso de medicamentos chegou oficialmente ao governo gaúcho até o momento. No entanto, ressaltou que a aplicação do medicamento é de autoridade do médico.

“Temos muitas expectativas de verificar como é que esse documento virá. Segundo se sabe, ele não está oficialmente à disposição de nenhum.  Na época em que o Ministério da Saúde divulgou o protocolo da disposição da cloroquina em hospitais para o uso em pacientes em caso grave, o Rio Grande do Sul recebeu 2.350 tratamentos. Conforme lembrou a secretária Arita Bergmann, “o uso não foi expressivo”.

A cautela no uso da cloroquina e da hidroxicloroquina também foi reforçada pelo governador do Estado, Eduardo Leite, na mesma coletiva por videoconferência. “Quem deve tomar a decisão sobre a administração da cloroquina é o médico que trata seu paciente de acordo e em com o acordo dele e ciente dos efeitos colaterais que pode ter segundo a ciência apura”, manifestou o governador.

O chefe do Estado lembrou ainda que a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que não há evidências suficiente de que a cloroquina tenha uma administração irrestrita. “São feitos muitos alertas em consideração aos possíveis efeitos colaterais muito graves. Entendo o que tem na portaria do Ministério da Saúde é uma possibilidade de uma permissão, mas não uma determinação. Até porque eu entendo que não há essa capacidade no Ministério. A decisão é do médico com seu paciente no tratamento”, apontou.

O comunicado do Ministério da Saúde revelou que a permissão do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina é permitido em “condições excepcionais para o tratamento” da doença. Mesmo com a liberação da pasta, o paciente terá que assinar um documento demonstrando que está ciente dos riscos que pode correr, inclusive o do óbito.  Correio do Povo