Publicado em: 05/11/2019

O HSVP é pioneiro em dois procedimentos cirúrgicos realizados pelo SUS”, destaca o médico Diego Dozza

Nos últimos três meses o Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, foi pioneiro em dois procedimentos cirúrgicos realizados pelo SUS. A primeira delas foi a cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS) que ajuda no controle da Doença de Parkinson. Já a mais recente, realizada neste mês, foi a cirurgia da infusão intratecal de medicação através de bomba de infusão implantável.
A cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS), surge como uma opção na vida desses pacientes que presentam distúrbios do movimento como a Doença de Parkinson. Com o passar dos anos os medicamentos utilizados perdem seu efeito benéfico e começam a produzir efeitos colaterais ou não corresponder corretamente. O procedimento consiste em implantar um cateter/eletrodo cerebral em um ponto específico dos núcleos da base, que pode ser em um ou nos dois lados do cérebro, e conectar em um gerador que fica sob a pele do peito. É através deste gerador que o médico programa a intensidade de sinal enviado ao cérebro para controlar os sintomas da doença. Há várias medicações e combinações possíveis para o auxílio do tratamento do Parkinson, mas em determinado momento pode ocorrer efeito colateral, falha da medicação ou a própria progressão da doença com outros sintomas de mais difícil controle. É neste momento que surge a indicação da realização da cirurgia, explica o especialista.
O procedimento é realizado com o paciente acordado, pois com isso, é possível perceber a melhora dos sintomas durante a cirurgia. É importante que o paciente colabore com o procedimento respondendo às perguntas dos profissionais.
O segundo procedimento realizado pelo SUS foi o da bomba de infusão implantável. Este é um tratamento no qual um cateter é colocado dentro da coluna do paciente, mais precisamente no espaço subdural, onde há o famoso “líquido da espinha”, e é conectado sob a pele com a bomba infusora, espécie de “marcapasso”, que fica implantado no abdômen, abaixo da pele e sobre a musculatura. “Então, calcula-se a dose que será liberada continuamente ou em pulsos, atuando de forma mais precisa diretamente sobre o sistema nervoso”, explica.
Outro uso para a bomba de infusão é para a espasticidade/distonia que ocorre em casos como sequela de paralisia cerebral, AVC, trauma medular, esclerose múltipla. Nesses casos a medicação utilizada é o baclofeno intratecal no qual a dose é muito inferior a utilizada pela via oral e com potencial de ação e efetividade muito maior, permitindo controle da espasticidade com redução das dores causada por ela, cãibras, melhora da contratura para a realização da fisioterapia, dentre outros.
Para outros tipos de dores, como a oncológica, também existe a possibilidade da implantação da bomba de infusão. Esse aparelho é deixado sob a pele do abdômen e conectado a um cateter que libera a medicação direto na medula do paciente. Pode ser utilizada a morfina intratecal (utilizada para dor) e o baclofeno intratecal, que é utilizado para espasticidade – contratura que ocorre após o AVC, esclerose múltipla, paralisia cerebral. estacando que os resultados “são muito bons e o paciente é mantido com uma dose podendo ser 300 vezes menor que a utilizada pela via oral”.