Publicado em: 01/12/2019

Neurocirugião Dr. Diego Dozza aborda um tema importante: A doença de Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma desordem degenerativa do sistema nervoso central. Ela é crônica e progressiva, isto é, mantém-se por um longo período de tempo e piora durante este período.

A causa da DP ainda não está completamente entendida e apesar de haver casos ligados a fatores hereditários a maioria dos casos são esporádicos, isto é, não tem relação com a presença da doença em outros familiares. Pensa-se que haja uma combinação de suscetibilidade genética e exposição a fatores ambientais que seriam o gatilho inicial para a doença.

A causa direta dos sintomas da DP é, principalmente, a morte ou perda de função dos neurônios da substância negra (localizada no tronco cerebral). Estes neurônios produzem a dopamina que é o neurotransmissor responsável pelo nosso movimento mais delicado e com objetivo. Alguns estudos mostram que quando os sintomas começam já houve perda de 60 a 80% destes neurônios. Além da dopamina há perda também da noraepinefrina, que é o neurotransmissor responsável pelo controle do sistema nervoso simpático, assim podem ocorrer os chamados sintomas não-motores como cansaço e alteração da pressão sanguínea.

A média de início da DP é em torno dos 60 anos, mas em 5 a 10% dos casos podem começar antes dos 50 anos (chamada de DP de início precoce) ou mais raramente antes dos 20 anos (DP juvenil). Os homens são afetados mais frequentemente que as mulheres.

Os 4 principais sintomas da DP são:

  • Tremor: ocorre em repouso ou com estresse, frequência de 4-6 vezes por segundo, chamado de “contar de moedas”. Geralmente inicia por uma das mãos e desaparece durante o sono ou com o movimento intencional.
  • Rigidez: os músculos permanecem com contratura constante e a pessoa sente-se enrijecida. Ao tentar mover o membro afetado, este parece com o movimento de uma roda-dentada.
  • Bradicinesia: os movimentos tornam-se lentos e a mímica fica sem expressão. As atividades simples ficam mais demoradas.
  • Instabilidade postural: ocorre perda do equilíbrio e podem ocorrer quedas.

Os sintomas geralmente iniciam por um dos lados do corpo e não são iguais em todas as pessoas. Geralmente os familiares percebem antes a diferença nos movimentos.  A face pode ficar sem expressão (fácies de máscara), a letra pequena (micrografia), ocorre diminuição do balançar dos braços durante a deambulação e hesitação no início da caminhada. Podem ocorrer vários outros sintomas como: depressão, alterações emocionais, dificuldade para deglutir, mudança no tom da voz, alteração urinária, constipação, alteração do sono, demência, dor, fadiga e perda de energia. Estes são chamados de sintomas não-motores e podem começar até 20 anos antes do aparecimento dos sintomas motores.

Não há exames diagnósticos para a DP e o diagnóstico é realizado através do exame neurológico. São realizados exames de imagem e de sangue para excluir doenças que podem imitar a DP. A sobrevida é a mesma de pessoas sem a doença. Para a avaliação da progressão da DP utiliza-se a escala de Hoehn e Yahr, onde no estágio 1 os sintomas são leves e no estágio 5 as pessoas encontram-se dependentes de cadeira de rodas ou acamadas.

Existem várias doenças, medicações ou exposição a outros fatores que podem levar a sintomas da DP e, assim, os sintomas são chamados de parkinsonismo: múltiplos infartos cerebrais, pós-trauma cranioencefálico repetitivo, hidrocefalia de pressão normal, medicações (clorpromazina, haldol, plasil, cinarizina, flunarizina), toxinas (monóxido de carbono, manganês, metanol). Mas isso não é a DP e sim uma imitação dos sintomas (parkinsonismo).

Para o tratamento há várias medicações que são utilizadas juntamente com a levodopa, que é a principal droga para o controle dos sintomas. Além das medicações deve ser realizado exercício físico e fonoterapia, que cada vez mais são publicados artigos sobre esse benefício. Para casos selecionados existe a possibilidade de realizar cirurgia com a colocação de um estimulador cerebral profundo.

Mas lembre-se: nem toda a pessoa com algum destes sintomas tem a DP. Sempre consulte um médico para esclarecer suas dúvidas e mantenha hábitos de vida saudáveis para envelhecer com saúde!

DR. DIEGO DOZZA / NEUROCIRURGIÃO

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