Publicado em: 02/01/2020

Japão cria “fábricas de verduras” para substituir agricultura no campo

Foto: Spread / Divulgação

Alfaces cultivadas com luz artificial: nos arredores das cidades japonesas, surgem da terra as “fábricas de verduras” automatizadas para substituir um campo despovoado e atingido por repetidas catástrofes naturais. É um edifício comum em uma área industrial entre Kyoto e Osaka, no oeste do Japão. Nada, externamente, sugere que nas instalações da empresa Spread cresçam cerca de 11 milhões de alfaces por ano – 30 mil por dia – com atuação de apenas 25 funcionários.

Tudo acontece em uma sala asséptica, cheia de prateleiras enormes e longas. Autômatos movem alface de um lugar para outro ao longo do dia. À medida que crescem, elas são mudadas para lugares com as condições de luminosidade, temperatura e hidrometria adaptadas a esse estado de crescimento. Tudo sem pesticidas, ou solo. Simplesmente, com água enriquecida com nutrientes. É a agricultura hidropônica.

Como a Dinamarca, o Japão é pioneiro no desenvolvimento laborioso de “fábricas de vegetais com luz artificial” há décadas. Gigantes como Panasonic, Toshiba, TDK ou Fujitsu se aventuraram neste campo, com mais ou menos sucesso, transformando linhas de produção de semicondutores em “campos verticais” para os quais criaram luz, sensores e outras tecnologias adaptadas.

Sem perdas

Spread, cuja casa-matriz era inicialmente uma empresa de logística de produtos frescos, é uma das poucas que conseguiram tornar o negócio lucrativo. “No início, tivemos dificuldades em vender a alface, mas foi relativamente fácil criar uma imagem da marca para atrair clientes, pois podemos produzir qualidade pelo mesmo preço durante todo o ano”, explica Shinji Inada, chefe da empresa. O segredo? “Temos poucas perdas”, explica, e os produtos, facilmente encontrados nos supermercados de Kyoto e nos de Tóquio, são preservados por algum tempo.

O ajuste desse sistema automatizado levou anos. Em outra antiga fábrica da Spread em Kyoto, que produz 21 mil pés de alface por dia, existem cerca de 50 trabalhadores que mudam as plantas de um lado para outro o tempo todo. Inada admite que pensou em relevância ecológica antes de iniciar esta atividade, mas também havia outros motivos.