INCRA/URI: Pronera forma primeira turma de beneficiários do crédito fundiário

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Após três anos e meio frequentando o ensino superior, 29 agricultores do Rio Grande do Sul receberão o título de Tecnólogo em Agropecuária em uma ação inédita no país. Eles integram a primeira turma do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) composta exclusivamente por beneficiários do crédito fundiário e foram atendidos pelo convênio entre Incra/RS e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). A cerimônia de entrega dos diplomas será na sexta-feira (11), às 19 horas, no Salão de Atos da universidade – Campus Frederico Westphalen.

Para o Coordenador Geral de Educação do Campo e Cidadania do Incra, Iradel Freitas da Costa, o curso “qualifica o homem do campo levando conhecimento teórico e científico. O agricultor se torna assessor técnico dele mesmo, da família e da comunidade”, afirma.

Costa também lembra que a incorporação de beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) ao Pronera foi prevista no Decreto nº 7.352, de 2010. A iniciativa pioneira Incra/URI satisfez uma demanda da região do Noroeste gaúcho, com forte presença deste público. Posteriormente, outros cursos no país contemplaram o mesmo segmento, porém em turmas mistas junto com assentados, quilombolas, ribeirinhos e demais abrangidos pelo programa.

Para fazer jus ao diploma, os graduandos de Tecnologia em Agropecuária cumpriram 42 disciplinas compostas por 2.490 horas divididas entre tempo universidade, de aulas presenciais, e tempo no meio socioprofissional. A pedagogia da alternância adotada pelo Pronera deu suporte a uma proposta curricular na qual cada agricultor elaborou um projeto profissional e de vida. Com auxílio de um professor orientador, o plano foi construído a partir das inclinações pessoais do acadêmico e colocado em prática na propriedade da família, após estudos sobre suas características e vocação produtiva.

O superintendente do Incra/RS destaca que a metodologia permitiu o fortalecimento da sucessão familiar, uma vez que os programas de trabalho foram voltados a viabilizar as atividades agrícolas dos estudantes desde o primeiro semestre de aulas. “Eles têm embasamento para auxiliar na produção específica de sua propriedade. Serão agricultores formados”, comenta o dirigente.

Já o coordenador da graduação, Luis Pedro Hillesheim, destaca o processo de colegamento construído ao longo da graduação. “Os estudantes tinham focos comuns, como pagar o financiamento do crédito fundiário a partir da produção agrícola da propriedade. Discutiam os problemas particulares no conjunto e encontravam soluções coletivas”, conta.

Segundo o professor, o instrumental metodológico abrangendo trânsito entre universidade e comunidade consolidou a relação dos formandos com o contexto rural. “Eles não saíram do campo. Pelo contrário, muitos ampliaram o papel de protagonistas nas ações de suas localidades antes mesmo da formatura”.

Conquistas – “É uma vitória nossa porque toda a turma batalhou para chegar até aqui”, considera Liane Maier Hann, de São José das Missões. Mãe de Vitória Gabriele, de 11 anos, ela contou com apoio da família, dos colegas e até dos vizinhos para ingressar em novas searas de aprendizado, como a informática, e cumprir as atividades da graduação sem deixar de lado os cuidados com a casa e a propriedade. Pensando no futuro, optou pela piscicultura como projeto produtivo.

Para ela e demais educandos, a despedida do período universitário iniciou em maio deste ano com a apresentação dos trabalhos de conclusão de curso. Doze projetos foram defendidos fora da universidade na intenção de intensificar o contato entre grupo e comunidade. “Ver os técnicos discutindo teu projeto foi um crescimento enorme”, conta Magnos Alexandre Petter, que desenvolveu uma proposta de produção de leite a pasto. Em julho, os formandos ainda participaram de um seminário de avaliação do curso e uma última viagem de estudos ao Uruguai.

“Em tempos passados, o agricultor estudava para sair do campo. Hoje ele precisa estudar para permanecer lá”, arremata o assegurador no Pronera no Incra/RS, Walter Aragão.

Abrangência – Criado em 1998, o Pronera beneficiou 3.376 educandos no Rio Grande do Sul ao longo de sua existência. Atualmente, o programa mantém 517 matrículas, entre as quais a segunda turma de Tecnologia em Agropecuária em parceria com a URI. A terceira edição da iniciativa está aprovada pela Comissão Pedagógica Nacional.

Assessoria de Comunicação Social INCRA/RS