Publicado em: 13/04/2018

HISTÓRIAS DE ESQUECIMENTO: O QUE DEIXEI DE CONTAR?

Anderson Cassol Dozza – Neuropsicólogo – CRP – 07/14851
Clínica Neurovasc
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A perda de memória, muitas vezes pode estar relacionada com algum quadro de possível demência ou comprometimento cognitivo leve, este ligados a uma linha limítrofe entre um déficit mais acentuado e um envelhecimento normal. Mas o que chama mais a atenção nos casos de esquecimento não é propriamente a perda da memória, e sim as histórias que os pacientes contam quando em atendimento. Tal fato pode se tornar o melhor material de um possível diagnóstico que teremos em mãos para a realização de uma avaliação.

As histórias, como em qualquer história que já ouvimos, são relatos impressionantes, seja de uma vida plenamente vivida ou uma vida extremamente vazia, cheia de “fantasmas” que seguem até o fim, ou cheia de aventuras e realizações. Assim, podemos identificar um paciente fortemente construído em sua própria história, que vive a sua idade de acordo com sua capacidade de fortalecer seus vínculos com os seus familiares e amigos, ou, olhar para um paciente fragilizado consigo mesmo, que carrega uma árdua tarefa de tentar dar algum significado para sua história de vida.

Em ambos os casos, temos que tentar direcionar a nossa atenção para um possível caso de depressão ou uma ansiedade mais severa, o que poderá mudar o curso de desenvolvimento desses pacientes de forma significativa. Sabe-se que tanto a depressão quanto a ansiedade podem alterar as funções cognitivas, e nota-se a memória e atenção como uma dessas alterações. É importante darmos ouvidos e significados para os pacientes com queixa de perda de memória. Seus medos e receios devem ser escutados atentamente, os familiares possuem então, uma árdua tarefa de coadjuvantes nessa história, e podem sim, atuarem como facilitadores na manutenção da cognição e diminuição de sofrimento de seu familiar.

Muitas vezes nos deparamos com casos de grande estresse, em situações de extrema desorganização familiar, em que principalmente o idoso sofre com a negativa de seus filhos, irmãos ou demais familiares no seu tratamento. Mas há casos em que encontramos uma família mais disposta na reorganização desse idoso, em que há uma referência de saúde e cuidado.

Em ambos os casos, também se torna importante a divisão de tarefas, quando possível e necessária as tarefas podem ser compartilhadas para não sobrecarregar ninguém na família, e esse idoso que precisa de algum cuidado a mais, se sentira mais acolhido e disposto ao tratamento e acompanhamento.

É importante sempre prestarmos atenção às queixas do paciente, seja adulto ou idoso, quando algo não está da maneira como deveria estar, uma mudança do jeito de ser, repetições de palavras, frases, apresentar um esquecimento de fatos recentes mais constante e intenso, precisamos ligar o sinal de alerta. Mas nem tudo é sinal de possível déficit cognitivo, pois esquecer algo todo mundo já esqueceu, um dia ou outro, deixar a luz acessa, esquecer a chave do carro, o celular, para isso devemos avaliar o que pode estar por trás desses esquecimentos, um possível estresse, uma desatenção, uma briga entre o casal, discussões com o chefe, enfim, há vários motivos para um esquecimento.

Em caso de dúvidas é sempre bom procurar um médico ou especialista na área, atualmente as neurociências e a medicina têm evoluído grandemente para a identificação da grande maioria de dificuldade ligada à memória e déficits cognitivos. A nossa história é tão importante quanto o nosso futuro, sem sabermos o que fomos, talvez, nem saberemos quem podemos ser.