Publicado em: 03/05/2018

Esquema de pedágios envolve companhia que pertence à empresa alvo da Lava Jato

Após três anos de investigações, o Ministério Público do Rio Grande do Sul descobriu um esquema de lavagem de dinheiro que superfaturava obras e usava supostos reparos em rodovias gaúchas para reajustar o preço do pedágio de ao menos duas rodovias. De acordo com o promotor de Justiça Ricardo Herbstrith, uma das companhias envolvidas nas irregularidades pertence a uma empresa que foi alvo da Lava Jato.  “Uma das companhias que estamos investigando está relacionada a uma empresa que foi alvo em algumas fases da Lava Jato. Ela faz parte de um grupo que foi alvo da Lava Jato e o que nós conseguimos evidenciar é que o esquema feito no passado era também realizado aqui nos pedágios de estradas gaúchas”, explicou Herbstrith em entrevista coletiva.

De acordo com o promotor, duas rodovias no Rio Grande do Sul foram usadas pela organização criminosa. “A BR 386, desde Soledade até Sarandi, além da praça de pedágio da região. Eles ainda operavam na BR 285, em Santa Bárbara, e em Passo Fundo. São quatro praças quem integram um só polo”, disse Herbstrith.

Conforme Herbstrith, o esquema tinha duas vertentes, com obras não realizadas e um segundo com trabalhos e serviços menores que eram feitos por pequenas empreiteiras que geravam dinheiro vivo. “Por exemplo, se havia um serviço orçado em R$ 80 mil, o mesmo era realizado e notas eram emitidas no valor de R$ 200 mil. O dinheiro oriundo das irregularidades seguia para uma companhia que fica em Santana do Parnaíba. A partir disso, cada prestação era redistribuída igualmente para outras empresas de fachada”, acrescentou. FOTO/MINISTÉRIO PÚBLICO /DIVULGAÇÃO