Publicado em: 04/09/2018

Artesanato registrou aumento de 21% nas vendas durante a feira

A 35ª Exposição de Artesanato do Rio Grande do Sul (Expoargs) registrou crescimento de 21% no volume de vendas em comparação a edição de 2017. O evento simultâneo à Expointer, de 28 de agosto a 2 de setembro de 2018, contabilizou a comercialização de 35.592 peças artesanais, que somaram R$ 1.279.573,68 em vendas, no Pavilhão do Artesanato, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
De acordo com a coordenadora do Programa Gaúcho do Artesanato (PGA), Marlene Garcia, peças de couro cru, sucata, madeira, lã, além de relho, rédea, laço, tapete, ferradura, escultura de ferro e poncho foram as mais vendidas no evento. A Expoargs contou com a participação de 295 artesãos de 46 municípios gaúchos, que comercializaram seus produtos em 118 estandes. Entre os destaques da exposição estavam peças de mosaico produzidas com casca de ovo pelo artesão Pedro Rodrigues, de Santa Maria, que trabalha há 36 anos com artesanato e vive exclusivamente da renda dessa atividade.
Outra novidade dessa edição foi o trabalho de escultura de ferro do artesão Luciano da Silva, de Santana da Boa Vista, que participou pela primeira vez do evento. Na infância, ele já demonstrava gosto e afinidade com trabalhos manuais. Produzia seus próprios brinquedos e aproximou-se da matéria-prima que trabalha no artesanato, o ferro, devido ao fato de ter crescido na oficina do seu avô. Já adulto atuou como serralheiro e hoje é pedreiro da prefeitura e, há quatro anos, produz artesanato nas horas vagas como hobbie. As esculturas são produzidas a partir do resgate de peças de motos, carros, bicicletas e ferramentas velhas. “Acredito que a principal contribuição do meu trabalho é em favor do meio ambiente por meio da reciclagem”, completou.
Não faltaram atrações e artigos de decoração no espaço – Foto: Ascom

Com o resultado da Expoargs, ele está pensando em trabalhar exclusivamente com a produção artesanal. “Vim apenas mostrar o meu artesanato e conhecer outros trabalhos na área, sem muita esperança, mas, nos quatro primeiros dias da exposição, já vendi peças que equivalem à metade do meu salário anual como pedreiro. A Expoargs superou completamente as minhas expectativas. A exposição é uma verdadeira vitrine, que nos possibilita comercializar nossos produtos até mesmo após o seu encerramento, pelo recebimento de encomendas de contatos efetuados durante o evento”, afirmou Luciano.

A artesã de Canoas, Vera Lúcia Alves, ressaltou que o evento possibilita, ainda, a comercialização dos produtos, inclusive, para lojistas. “Há 11 anos eu participo da Expoargs. Este ano a exposição foi muito boa desde o primeiro dia. O volume de vendas foi acima do esperado. O Programa Gaúcho do Artesanato é maravilhoso, porque incentiva a comercialização, com as feiras como a Expoargs e da participação de eventos em outros estados brasileiros”, diz.

Ela aprendeu a técnica de produção de bonecas de tecido em cursos de artesanato em 1986. Queria exercer uma atividade profissional que permitisse conciliar a criação dos filhos pequenos em casa. Logo, surgiram encomendas e o trabalho artesanal fez tanto sucesso, que hoje é um negócio que envolve toda a família e é a principal fonte de renda de Vera e do marido, que possuem quatro filhos e três netos: “O artesanato une todas as gerações da nossa família, inclusive, a minha mãe, que com 86 anos ainda auxilia na produção de bonecas”. A atividade também desempenhou importante papel em um momento difícil que a família enfrentou em 2004, quando o marido de Vera sofreu um ACV e perdeu os movimentos das mãos e das pernas. “O trabalho artesanal foi fundamental para que o meu esposo conseguisse recuperar os movimentos e vencer a depressão”, contou.

O artesanato está muito presente na vida da família Alves e, principalmente, no cotidiano de Vera. Ela trabalha nessa atividade há 32 anos e continua querendo aprender mais sobre essa arte: “Ainda procuro a melhor técnica, informo-me sobre a tecnologia relacionada ao artesanato, além de preocupar-me em atender e explicar bem os meus produtos aos clientes”. Com essa visão ampla da atividade, ninguém duvida que a carreira dela ainda reserve grandes conquistas.
Promovida anualmente pelo Programa Gaúcho do Artesanato (PGA), a Expoargs é a maior feira de artesanato gaúcho. Em 2017, foi contabilizado R$ 1.056.875,58 referente à venda de 27.415 peças artesanais.
O PGA é desenvolvido pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (SDSTJDH). Incentiva a profissionalização e fomenta a atividade artesanal com políticas de formação, qualificação e apoio à comercialização. É responsável pela emissão da Carteira de Artesão, que viabiliza a isenção de ICMS para a circulação de produtos, a emissão de notas fiscais e a exportação de produtos como pessoa física, além da participação de exposições e feiras para comercialização dos produtos.